Nova actualização do poste "O Corpo e o Lugar"

O ensaio "O Corpo e o Lugar" encontra-se actualmente estruturado em 3 temas, designadamente “O Corpo”, “Os Lugares” e “O lugar do não-lugar, ou A nova ordem de lugares”.

A presente versão estrutura o primeiro tema “O Corpo” decompondo-o em 4 itens e desenvolvendo os três novos últimos itens.

Os novos itens deste tema são:
1.1. O corpo enquanto lugar
1.2. O corpo enquanto lugar da experiência dos lugares
1.3. Os lugares periféricos do corpo
1.4. A inclusividade dos lugares

Ver a 4ª versão.

Umas palavras de aditamento às palavras do Gervásio

O pragmatismo sanchopancesco do Gervásio permite-lhe conceber e descrever a minha travessia do deserto como uma travessia de lugares comuns que, por erro e perdimento, me teria levado ao deserto. É a sua versão, que, creio, satisfará a maioria dos nossos leitores. A minha versão, que assenta no intento do meu projecto, é outra: a necessidade de me perder dos lugares comuns para, finalmente, me encontrar no deserto, me achar no lugar do despojamento.

Neste particular, o Gervásio não argumenta; ralha e tenta dissuadir - como se pôr a saúde em risco não é o que fazemos quando quotidianamente comemos ou respiramos na nossa cidade. Uns grauzitos a mais na temperatura corporal e uma estranha virose nas ramificações pulmonares são parte da circunstância das nossas existências. Mas isso já lá vai!

Como estive ausente, devo a um ror de gente agradecimentos pelos votos de um bom Natal, de umas boas passagens e, agora, de boas Páscoas. Para quem, como eu, não for dado aos rituais cristãos, mas preferir os rituais pagãos da Natureza Mãe, transformo esses votos nas boas passagens do Solstício passado e, agora, do Equinócio da Primavera.

Vou prometer não importunar mais o meu bom Gervásio, esse bom coração romanticamente monárquico, agora tão ocupado e importante com as celebrações da ida da Corte para o Brasil.

O regresso de Perdido

Perdido voltou, está aí. Não diria, propriamente, que Perdido voltou a estar connosco. Pelo contrário, é mais correcto dizer (em termos perdidianos) que voltámos a estar com Perdido.

Do seu perdimento e achamento não irei ocupar-me agora. Para mitigar o sofrimento das almas mais sensíveis resumirei a sua trajectória a umas poucas palavras: Perdido viajou até ao Norte do País, embrenhou-se por montes e vales à mercê das intempéries, atravessou Espanha de Norte para Sul (Picos da Europa, meseta, Andaluzia) e passou pelo Mediterrâneo para o Norte de África desaparecendo no deserto sariano. Foi encontrado numa aldeia remota da Líbia em deplorável estado de saúde, sem noção de si, do sítio onde estava ou de como chegara aí.

Depois da estadia de cerca de um mês e meio de hospitalização e cuidados continuados, encontra-se completamente restabelecido e no meio de nós. Ou melhor, nós com ele no nosso meio.

Este lugar é meu: se não fosse meu, não seria lugar.

Reivindico. Rei, vindico! Ego vindicator. Res, rei: res privata, res publica.

O estranho lugar que é um portão

Publico agora um escrito de Perdido que tinha começado a preparar antes de nos deixar. Não sei ao certo se o autor o tinha por concluído ou se era um esboço para rever. Todavia, antes da sua partida, pediu-me que o publicasse no caso de não regressar nos próximos quinzes dias.

Eis o texto:


O estranho lugar que é um portão

Que estranho lugar é um portão. Passo o portão e entro, estou no outro lado; passo novamente o portão e saio, estou no outro lado. É um lugar por onde se passa para entrar e onde se passa para sair. Para o portão é indiferente, se se sai, ou se se entra. Para isso era preciso ter a noção de dentro e fora, ora os portões não têm noções. E o dentro e o fora não existem na realidade, somos nós que falamos assim acerca dos lugares.

O que é estranho no portão é ser um lugar onde não se pode estar. Isso é uma coisa deveras intrigante.

O Egas Moniz deu a vida para o descobrir.